Casa Bote

Dois volumes sobrepostos definem a volumetria desta habitação unifamiliar, sendo os eixos “cardus” e “decumanus” os organizadores da vivência e da emoção do habitar. Os volumes possuem formas geométricas puras, sem janelas, “onde não se vem ver a paisagem”, e estabelecem um jogo onde a regra é, apenas e tão só, a surpresa sobre uma ideia de habitar que se propõe e se estimula. As árvores de fruto existentes num terreno marcado pela presença de uma velha casa paroquial à face de uma estreita rua , bem como o habitar e a invulgar apropriação e exigências do espaço de um padre culto e determinado, constituíram as motivações do desenho para esta solução. Não há lugar para a representação, nem se desenvolve aqui qualquer a xis mindi. Estruturam-se apenas pensamentos sobre o passado e o futuro, ordenam-se e recriam-se os velhos e novos sonhos dos modos de habitar, onde dialogam a privacidade e o conforto, a opacidade e a transparência, a horizontalidade e a verticalidade, o exterior e o interior, a sombra e a luz.

Projecto: Atelier Nuno Lacerda Lopes
Fotografia: Luis Ferreira Alves 2003

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